quarta-feira, 3 de julho de 2013

Caro David,


Não nos falamos há um tempo e isso me deu o tempo que eu precisava para pensar. Lembra quando disse que devíamos morar juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes? Considere uma prova do meu amor eu ter passado tanto tempo considerando isso, tentando fazer funcionar. Mas uma amiga me levou ao lugar mais fantástico um dia desses, Octavio Augusto o construiu para guardar suas coisas. Quando os Bárbaros vieram, destruíram isso e todo o resto. O Grande Augusto, o primeiro grande imperador de Roma; como ele pensaria que Roma, que era o mundo para ele, estaria um dia em ruínas?
É um dos lugares mais quietos e solitários de Roma. A cidade cresceu em volta dele todos esses séculos, como uma ferida preciosa, um antigo amor que você não quer esquecer. Porque a dor é tão boa. Queremos que as coisas continuem as mesmas, David. Vivemos infelizes por ter medo de mudanças, de ver nossa vida acabar em ruínas. Então, olhei o lugar e em todo o caos pelo qual passou. A forma como foi adaptada, queimada, destruída, e ainda achou formas de se construir de novo. E me senti tranquilizada. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. É apenas o mundo que é, e a armadilha é se apegar demais a ele. Ruínas são um presente. São o caminho para a transformação.
Até mesmo nessa cidade eterna, isso me mostrou que devemos estar preparados para todas as transformações. Merecemos mais do que ficar juntos por termos medo de sermos destruídos se não ficarmos.

- Comer, rezar, amar

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