terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PC Siqueira - Você se Cansa


Um belo dia você acorda com uma dor no pescoço. Uma dor nas costas. Seus olhos ardem. Seus músculos ardem. Você tem dificuldades para se lembrar das coisas, você tem dificuldades para acordar. Você tem dificuldades para dormir, para engordar, ou emagrecer, dificuldades em chegar de um ponto ao outro, dificuldades em chegar ao ponto, você perde o ponto, perde tempo. ganha rugas.
Os dias passam, você respira fumaça, bebe água contaminada. Queima a pele do seu rosto pelos raios catódicos do monitor, acende um cigarro, se pergunta até que idade você vai sobreviver.
Pensa em se mudar para o interior. Pensa em parar de fumar. Pensa em comprar roupas novas. Pensa em matar alguém.

Um belo dia você acorda e se dá conta que está cansado.
Você se cansa da cidade, dos carros, das luzes. Você se cansa do lixo, das pessoas, do barulho. Se cansa de não saber para onde ir, se cansa de não ter para onde ir e precisar ir para algum lugar.
Você se cansa de não ter razão, de não ter caminhos, de não ter opções, se cansa de ver sua vida igual a de todos os outros, se cansa de ser de um rebanho sem pastor.
Você se cansa de chefes, deuses, impostos, moda, dinheiro. Você se cansa da sensação de estar desperdiçando seu tempo, você se cansa de não ter tempo algum para disperdiçar.
Você se cansa de viver em um mundo onde quem não está desesperado, está louco. Você se desespera com medo de enlouquecer. Respira fundo, acende um cigarro.
Você se cansa de não saber exatamente do que está cansado. Se cansa do "alguma coisa está errada" que paira sobre o ar desde uma época que você não se lembra.
Se cansa das avenidas, das ruas, das alamedas, das praças, do sol, dos postes, das placas de sinalização, das buzinas.
Você se cansa de amores incompletos, de amores platônicos, de falta de amor, de excesso disso e daquilo. Se cansa do "apesar de". Se cansa do rabo entre as pernas, da sensação de estar sendo prejudicado, se cansa do "a vida é assim mesmo". Você se cansa de esperar, de rezar, de aguardar, de ter esperanças, cansa do frio na barriga, cansa da falta de sono.
Você se cansa da hipocrisia, da falsidade, da ameaça constante, se cansa da estupidez, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, do frenezi, da busca impossível e infinita de algo que não sabe o que é. Se cansa da sensação de não poder parar.

E você não para, até que esteja morto.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A Filha do Dono da Cidade

E era assim a vida de Maria Cecília, todos os finais de tarde dos domingos, assistia da janela de seu quarto seu velho pai na sacada, usando aquele chapéu gângster e fumando aquele charuto como se fosse uma religião. Era todo metódico.

Às dez para seis pegava o cortador que ficava na pequena gaveta da mesinha onde ficava a agenda com nomes que já nem habitavam mais essa terra, fechava, ia até a estante, abria a porta de vidro, e pegava a caixa de charuto, ficava contemplando-a por um bom tempo, com um sorriso sutil, um sorriso raro em quem tem um coração como aquele. Abria a caixa demonstrando uma certa empolgação, e com muito zelo, cortava a ponta do charuto. Sua expressão era a mesma de quem fez um árduo trabalho e agora desfrutava dos resultados satisfatórios.

Então, senhor José Augusto acendia o charuto segurando-o em uma mão e em outra segurava o isqueiro de prata, que ganhou de seu amigo falecido, anos atrás na França. Fechava a tampa do isqueiro, e sentava-se na cadeira da varanda. Ali desfrutava daquele charuto, olhava pra ele, e tragava, e olhava no horizonte, com ar de quem estava numa propaganda do Marlboro, de quem estava desfrutando da gorda aposentadoria de anos trabalhados. Mas a verdade é que todo domingo à tarde, seu Augusto pensava nas noites dos cabarets franceses, em que passara com seu amigo na sua juventude boêmia.

Maria Cecília observava tudo aquilo, filha de mãe portuguesa, já falecida, havia crescido com aquele pai, indiferente, rude, nojento, libidinoso, saudosista do passado e metido em seu próprio mundo. Nunca fora fiel a dona Marieta.

Cecília ali, todos os domingos, mocinha recatada, filha do dono da fábrica de charutos, cortejada por muitos e proibida pra todos. Abriu seu leque, respirou fundo, e foi se olhar no espelho, como todos os domingos às vinte para as sete da tarde.

O Café de Maio

E foi naquele momento em que suas grandes e tão criativas mãos repousavam sobre o meu rosto, fazendo os dedos dançarem sobre a minha bochecha, eu fechei os olhos para sentir melhor a textura da pele da palma da mão dele. Era tudo tão lindo, a gente ali, naquela 1:00 da manhã, deitados no colchão no chão da sala, com a janela aberta. O vento que vinha era tão fresco e úmido, acariciava a minha coxa e minhas costas.

O aroma da respiração dele era tão agradável e tão encaixante, meu coração não batia, se derramava, se derretia por dentro de mim. Como eu te desejava!

Ah! Eu me lembro da noite passada, aqueles poucos segundos foram tão eternos e ao mesmo tempo... Tão poucos...

Ali eu soube que eu te quero, te quero, te quero. Naquele instante, eternamente, naquele momento. Porque é de momentos assim que eu gosto, era de um momento assim que eu precisava, momento com cheiro de café da tarde feito no mês de maio.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Tired Of Crying, Tired of Pain, Tired of Incomprehension

And i'm tired of all those people that think that they are the only one who have problems and dont'care about my feelings. And it hurs so much!
But nobody perceives me, everybody thinks i'm the girl of the computer, noone stops to think 1 minute at least about who i really am. everyone think i'm a machine.


LOOK AT ME! I'M HUMAN TOO!
after him, it was never easy
i miss him, i hate him, and i need to shout it to someone and receive a hug. just it.

sábado, 6 de julho de 2013

I Want You To Know


And I won’t let you go,
Now you know
I’ve been crazy for you all this time
I’ve kept it close
Always hoping
With a heart on fire
A heart on fire...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Caro David,


Não nos falamos há um tempo e isso me deu o tempo que eu precisava para pensar. Lembra quando disse que devíamos morar juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes? Considere uma prova do meu amor eu ter passado tanto tempo considerando isso, tentando fazer funcionar. Mas uma amiga me levou ao lugar mais fantástico um dia desses, Octavio Augusto o construiu para guardar suas coisas. Quando os Bárbaros vieram, destruíram isso e todo o resto. O Grande Augusto, o primeiro grande imperador de Roma; como ele pensaria que Roma, que era o mundo para ele, estaria um dia em ruínas?
É um dos lugares mais quietos e solitários de Roma. A cidade cresceu em volta dele todos esses séculos, como uma ferida preciosa, um antigo amor que você não quer esquecer. Porque a dor é tão boa. Queremos que as coisas continuem as mesmas, David. Vivemos infelizes por ter medo de mudanças, de ver nossa vida acabar em ruínas. Então, olhei o lugar e em todo o caos pelo qual passou. A forma como foi adaptada, queimada, destruída, e ainda achou formas de se construir de novo. E me senti tranquilizada. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. É apenas o mundo que é, e a armadilha é se apegar demais a ele. Ruínas são um presente. São o caminho para a transformação.
Até mesmo nessa cidade eterna, isso me mostrou que devemos estar preparados para todas as transformações. Merecemos mais do que ficar juntos por termos medo de sermos destruídos se não ficarmos.

- Comer, rezar, amar

segunda-feira, 24 de junho de 2013

A FOLHA VERMELHA

Mais louca que aquela folha de caderno vermelha amassada, sendo constantemente inundada pela chuva torrencial que caia sobre ela, como sinônimo de força - eu estou do seu lado - (a chuva), olhos enfurecidos com a força adquirida diante de todo o seu desprezo diante do sumiço, gritava:

- DORMI PORQUE EU QUIS, PORQUE EU SENTI VONTADE DE PEGAR AQUELE CORPO ROBUSTO E ABRAÇAR BEM FORTE, APERTAR E APROVEITAR, E ME ESBANJAR NAQUELA BOCA CARNUDA, PELOS DESEJOS QUE VOCÊ DESPERTOU E MIM, FOI PORQUE EU QUIS E NÃO FOI POR VOCÊ, MEU MUNDO NÃO GIRA MAIS AO REDOR DO SEU UMBIGO!

Ele não sabia mais se havia se decepcionado porque ela fez porque quis, ou se havia se decepcionado mais quando acreditou que foi por retaliação. Mas estava decepcionado de qualquer jeito. Azar o dele! Ele provocou a situação...
E aconteceu sim, cara, agora aguenta, e não girou em torno do seu umbigo não, girou em torno dos desejos vulcânicos dela que você despertou mas abandonou. Agora aguenta, ser infeliz. O que te incomoda agora, é que você não foi o motivo, você não é mais a questão da vida dela!

- Amanda Ribeiro

quarta-feira, 12 de junho de 2013

sábado, 8 de junho de 2013

ONCE




Estou arranhando a superfície agora
E eu estou trabalhando duro nisso
Portanto, muitas coisas foram mal compreendidas
Esse mistério só leva a duvidar
E eu não entendi
Quando você pegou a minha mão
E, se você tem algo a dizer
É melhor dizer agora

Porque era por isso que você esperava
Sua chance de aumentar sua pontuação
E esss sombras caem sobre mim agora
Eu vou de alguma forma

Porque era por isso que você esperava
Sua chance de aumentar sua pontuação
E esss sombras caem sobre mim agora
Eu vou de alguma forma

Porque estou recebendo uma mensagem do Senhor
Estou mais perto do que jamais estive

Portanto, se você tem algo a dizer
Diga para mim agora
Diga para mim agora
Diga para mim agora





Você me arrasou completamente 
Você me deixou de joelhos 
E você me arrasou completamente 
Você será o último, você vai ver. 

E como você lutou 
Quando impeli você 
Para longe de mim. 

E toda manhã 
Quando você se virar 
Eu estarei bem longe de você 
Você me arrasou completamente 
Você será o último, você vai ver. 

E qual a chance que nós tínhamos 
Se você perdeu todas as oportunidades 
de ficar comigo? 

E toda manhã 
Quando você se virar 
Eu estarei fora 
De alcance na escuridão 
Quando você encontrar isso 
Eu estarei bem longe de você 
E você me arrasou completamente 
Você será o último, você vai ver

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Cansei de alimentar os lobos bonzinhos.

ESCULPIDO


Entrou no quarto escuro e fechado dele enquanto ele estava sentado no chão e questionou toda sua frieza, toda sua maldade, como conseguia ter coragem de fazer tudo aquilo calculadamente, acusou que não tinha um coração, tinha uma pedra com fragmentos pontiagudos no lugar e então saiu.
Ele abaixou a cabeça e falou bem baixinho:  -Porque eu estou sangrando.

-Amanda Ribeiro

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Desabafo #1

Você conhece uma pessoa chata pra caralho no passado e de repente vem a vida e trás uma pessoa tão mais chata, mas tão mais chata que você passa a sentir saudade e achar aquela pessoa do passado simpática pra caramba.

Moral: Sempre tem um chato que superará o atual na tua vida!


domingo, 12 de maio de 2013

sábado, 13 de abril de 2013

A Casa da Gente


Na casa da gente é possível dormir e acordar quando bem entender. Ninguém vai achar ruim se a gente quiser assistir ao filme “A Invasão das Lulas Cósmicas” às três da madrugada, porque na casa da gente quem manda é a gente mesmo. E se a gente quiser puxar o rádio-relógio da tomada quando ele despertar às sete da matina, tudo bem. Seu chefe ligou perguntado do atraso? Inventa que a cozinha amanheceu debaixo d’água e você precisou chamar o encanador. A casa da gente, além de refúgio, também ajuda na hora das desculpas.

Na casa da gente é possível ser autêntico. Ali podemos andar descabelados, usando aquele camisetão furado e aquela calça de pijama de flanela cheia de ursinhos. Ali podemos chorar no último capítulo da novela das seis. Na casa da gente não tem essa de manter as aparências. Você pode até falar para todo mundo que gosta muitíssimo de ópera alemã do período barroco só para botar uma banca. Mas na casa da gente tudo bem colocar o CD “O Melhor de Sidney Magal” no repeat, e ainda sair dançando “Me Chama que Eu Vou” com a vassoura.

Na casa da gente é possível dar vazão ao lado criativo. Uma bela manhã acordarmos de saco cheio da parede amarelinha, por exemplo. Podemos pintá-la de roxo no mesmo dia sem precisar de autorização. Podemos mudar o sofá de lugar e botar a cabeceira da cama debaixo da janela sem ter alguém que fale que isso é errado, ou que desse jeito vamos pegar friagem. Na casa da gente dá para começar vários projetos, como uma mesa de tampo de mosaico e uma reforma na velha cômoda da vovó. E também dá para não terminar nenhum deles.

Na casa da gente é possível exercitar a preguiça. Se o controle remoto cair no vão da cama e você não estiver com vontade de esticar o braço, relaxe. Pode continuar assistindo ao pastor tirar o demônio do corpo da mulher, ninguém está vendo mesmo. Se o queijo venceu há três meses e já está quase criando pernas e abrindo a geladeira sozinho, não tem problema. Um dia você lembra de jogá-lo fora. E se você não quiser arrumar a sua cama por três dias seguidos, tudo bem também. Aliás, na casa da gente está liberado farelo de bolacha no lençol.

Na casa da gente é possível receber pessoas. O amigo ligou precisando urgentemente de uma conversa ao vivo? Pode mandar entrar, ainda que seja fora do horário de visita. Até porque na casa da gente não tem essa de horário de visita. Sexta à noite dá para fazer uma festa de última hora quando a sessão de cinema em que você ia acabou lotando. Cinco minutos no telefone é o suficiente para a casa da gente começar a encher. E se você quiser ficar dez dias sozinho, sem ver qualquer ser humano na frente, ok. A casa da gente também pode ser a caverna da gente.

Na casa da gente é possível ser cozinheiro. Se você está morto de vontade de comer feijão, dá para fazer feijão ainda que você não tenha a mais remota idéia de como. Basta botar os grãos na água, ligar o fogo e ver o que acontece. Não precisa seguir receita, porque quem come suas criações é você mesmo, e você não dedurar a si próprio para os outros. E se o feijão não der certo, na casa da gente sempre vai ter um Miojo sabor galinha caipira no fundo do armário. Pilotar o fogão não está nos planos? Ninguém vai reclamar se você viver de disk-pizza.

Na casa da gente é possível desistir. Tipo quando a gente compra uma bicicleta ergométrica crente que vai fazer exercícios diários e finalmente perder aqueles quilinhos a mais e, no segundo dia de uso da geringonça, percebe que ela vai é criar teias de aranha na garagem. Ou quando a gente decide fazer uma pequena horta de temperos variados, compra vasos, adubo e até plaquinhas fofas com “salsinha” e “alecrim” escritos, mas a empolgação dura pouco e na semana seguinte, lá pelo sexto dia sem molhar a horta, já está tudo morto. Não tem fiscal da natureza na casa da gente.

Na casa da gente é possível ser feliz. Ganhar carinho do gato quando todo mundo parece estar de mal. Comer brigadeiro de panela vendo a décima reprise de “Namorada de Aluguel” quando não existe companhia para o cinema. Ficar enrolado no cobertor quadriculado de franjas quando chove e faz muito frio lá fora. Comprar apenas uma almofada florida e barata quando a grana para aquela reforma completa da sala de estar ainda está curta. Andar de pantufa de coelhinho quando os demais dizem que você já passou da idade. Abrir a porta, tirar os sapatos, se jogar no sofá e respirar aliviado quando tudo o que você quer na vida é exatamente isso.

Ah, a casa da gente. Talvez Dorothy não soubesse o quanto ela estava com a razão.

- Garotas que Dizem Ni