quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Conversa entre amigos

Os dois eram amigos, apenas amigos, um garoto e uma garota, ela tinha 14 anos e ele 16. Os dois conversavam sentados no alto de um gramado, à noite, com vista para toda a cidade:

(garoto) - Você é feliz?
(garota) - O que é a felicidade para você?
(garoto) - A felicidade tem definição?
(garota) - A felicidade é uma prioridade.
(garoto) - Não é a felicidade um estado de espírito?
(garota) - Talvez... Ou a alegria é um estado de espírito. A felicidade é plena.

O garoto jogou o braço atrás da cabeça, deitou na grama e, olhando para o céu, ficou pensando. Levantou depois de alguns minutos e perguntou:

(garoto) - Qual é a sua prioridade?
(garota) - Minha liberdade.
(garoto) - Que tipo de liberdade.
(garota) - Quero minha independência financeira pra não ter que pedir dinheiro aos meus pais.
(garoto) - Isso vai te trazer felicidade plena?

A garota deitou na grama e pensou por alguns segundos e falou:

(garota) - Acho que sim por um tempo.
(garoto) - Por quanto tempo?
(garota) - Mais ou menos um ano, vou curtir minha vida, sair com minhas amigas, dar altas festas no meu apartamento e depois vou querer um namorado.
(garoto) - Se vai durar um ano, então devo concluir que é alegria e não felicidade.
(garota) - É talvez seja... Na verdade a felicidade é uma busca constante.
(garoto) - Então não existe felicidade plena?

A garota ficou parada por um longo tempo pensando e disse:

(garota) - Não.
(garoto) - Não?
(garota) - Talvez todos nós nascemos já com a felicidade plena que perdura ao longo da infância e, de alguma forma, vamos perdendo a medida que vamos crescendo e descobrindo o mundo... Talvez não a perdemos, talvez ela ainda esteja dentro da gente e nós esquecemos como usá-la.
(garoto) - Então encontraremos a felicidade plena quando voltarmos a ser crianças?

A garota levantou entusiasmada e falou apontando com o dedo:

(garota) - Isso!
(garoto) - Vamos até a minha casa jogar videogame?
(garota) - E depois vamos comer muito salgadinho e tomar toddynho até passar mal...
(garoto) - Não esquecendo das trakinas...
(garota) - For sure! Vamos lá...
(garoto) - Vamos!

Acho que eles não entenderam...



Música: Beautiful Place do Good Charlotte

Texto: Amanda Ribeiro

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meu primeiro selo!

Não, não estou falando de beijo. Haha... É o primeiro selo do meu blog que eu ganhei da Patrícia Lemmon do blog Minha vida de limão. Obrigada Patrícia!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Nasce Jesus!

Hoje vou colocar um trecho do livro "Dias melhores virão" do Max Lucado.

Deixando seu trono, ele tirou seu manto de luz e se revestiu de pele: da pele humana pigmentada. A luz do universo entrou em um ventre escuro e molhado. Aquele a quem os anjos adoram aconchegou-se na placenta de uma camponesa, nasceu na noite fria e, depois, dormiu sobre o feno destinado a uma vaca.
Maria não sabia se lhe dava leite ou louvor, mas lhe deu ambas as coisas, uma vez que ele estava, até onde ela podia imaginar, com fome e era santo.
José não sabia se o chamava de Júnior ou Pai. Mas, no final, ele o chamou de Jesus, seguindo as palavras do anjo e reconhecendo não ter a mínima idéia do nome que deveria dar a um Deus que ele poderia embalar nos braços.
Você não acha que a cabeça deles se inclinou e a mente se perguntou: Afinal, o que você está fazendo Deus? Ou, melhor: Deus, o que você está fazendo no mundo?

 Feliz Natal!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Não era pra ser assim...

Capítulo 04: O encontro com Scarllet

Eram 16:30 e Gustavo estava parado em frente a livraria Café Arte. Ficou olhando para aquela fachada enquanto apertava involuntariamente o celular. As lembranças vinham a sua mente, agora perturbadoras.
Gustavo então toma fôlego, entra e senta-se a mesa, olha para o relógio, "são 16:32" e espera super apreensivo.
16:40 e nada de Scarllet aparecer, quando Gustavo pensa em pegar um café, ele vê um reflexo no vidro a sua frente, uma moça loira, de cabelos curtos, estilo "joãozinho", mas os olhos, aqueles olhos grandes e azuis eram os mesmo de sempre... Ele olha para trás... Era Scarllet.
Os dois ficam parados por alguns segundos, até que Gustavo exclama:
- Scarllet!
O que ele sentia era inexplicável, era um misto de sentimentos, antes perturbadores, agora, uma nostalgia gostosa, longe de mágoas. Scarllet sentou-se a mesa.
Por um tempo Scarllet olhava Gustavo meio que sorrindo, balançava a cabeça como se dissesse algo por dentro como, "nossa", abaixou a cabeça, surgindo em seu rosto uma expressão mais triste, respirou fundo e perguntou: "Como você tá?"
Gustavo era muito impulsivo, não conseguia pensar direito quando era tomado por suas emoções, elas eram a flor da pele. Com lágrimas nos olhos, ele pegou na mão de Scarllet e se aproximou para beijá-la...
Scarllet se afastou quase virando a cadeira, levantou-se meio zonza, e falou, com uma expressão dramática no rosto:
- Eu tenho uma coisa importante pra te dizer, e é por isso que eu tou aqui, só por isso...
Gustavo, também zonzo, foi para trás assustado e  falou:
- Eu acho que eu sei do que se trata... É ela, né?
- É...
- E cadê ela?
Respirando fundo e sentando na mesa, Scarllet respondeu:
- Tem muita coisa que você não soube ao longo desses anos...
Ao ouvir isso, toda raiva e mágoa voltava a cabeça de Gustavo, deixando-o com uma expressão de rancor.
Gustavo grita e bate na mesa:
- CADÊ ELA?
Scarllet , com os olhos cheios de lágrimas , coloca a mão na boca, as lágrimas rolando em sua face...
- Não tá aqui comigo, ficou na Finlândia.
Gustavo começa a chorar, como não havia chorado há muito tempo... Enquanto isso, as pessoas na livraria olhavam curiosas...
Scarllet levantou-se e olhando para Gustavo, falou chorando:
- Eu sei que você tá com muita raiva de mim...
Saiu, virou para trás e chamou:
- Gustavo...
Gustavo olha para ela e ela diz:

"O nome dela é Melissa." 
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A garota dos olhos tristes...

Eu tenho que escrever agora... Se não for agora, não sai mais.
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Cadê aquela garota dos olhos tristes? Aquela com vestido amarelo florado? Ela tinha um livro verde na mão com uma margarida no meio da capa. Era o diário dela.
Ela ficava sentada na porta do salão de beleza abandonado. Ela ficava ali sentada olhando sabe-se lá o que...
Onde está a garota dos olhos tristes e dos cabelos castanhos lisos? Eram suaves e eruditos. Tudo nela cheirava mistério.
Certo dia me sentei do lado dela, não falei nada, só sentei. Ela olhou para mim e falou:
- Faz tempo que aqui não chove.
Levantou e saiu.

Cadê aquela garota dos olhos tristes? Meus cabelos estão grisalhos e venho todas as manhãs no mesmo horário, nesse mesmo ponto de ônibus de onde eu a observava, encontrá-la para devolver seu diário.
Quando eu encontrá-la vou sentar do lado dela, olhar para ela e dizer:
- Eu nunca li seu diário.


Amanda Ribeiro